Quando eu resolvi, de fato, deixar de estar à frente da banda Zelvis e assumir uma posição de coadjuvante, não é segredo para ninguém que o grupo ruiu. Dali em diante, também não era segredo para ninguém o meu desinteresse em voltar a tocar. Tentei iniciar um projeto de gravação de um álbum com algumas das minhas canções mais intimistas, que nunca couberam no repertório da LP & Os Compactos e Zelvis, mas o meu desânimo era evidente, apesar do total e completo apoio de Stephen Ulrich, meu filho e guitarrista de ambos os projetos anteriores.
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| Capa do EP virtual "Amor em Marte" |
O projeto do disco não foi à frente, mas, neste meio tempo, um outro sonho se concretizou. O blog Impaciente e Indeciso foi lançado, hoje contando com quase 700 mil visualizações em pouco mais de um ano e meio, e deu até uma cria, este blog aqui, o MVSIKA VRBANA, onde concentro meus textos a respeito de cultura pop, alguns inéditos, como este, e outros compilados do próprio Impaciente e Indeciso.
Neste meio tempo, uma outra ideia surgiu, que era voltar a tocar com o baterista Toni Calfim. Calfim é um amigo querido de longa data e um músico com o qual sempre eu tenho verdadeiro prazer em tocar. A insistência dele em iniciar um projeto novo comigo, sem dúvida, foi o motor para que eu, aos poucos, voltasse à ativa.
A ideia inicial da Zelvis não era ser uma continuidade da LP e Os Compactos e sim, um projeto à parte com vocal feminino. Uma banda mais pop, mais dançante, menos autoral e com um certo tempero baiano. Com um público cada vez mais interessado em um show com revisitações de canções de outros artistas, decidimos aplicar esta fórmula na própria LP, porém, mantendo os dois conjuntos em atividade. O que não deu certo. Uma certa patrulha estética que há em Feira de Santana, recebeu pessimamente a possibilidade de uma mesma formação existir sob dois nomes diferentes e acabamos optando por seguir apenas com a Zelvis.
Com a chegada de uma vocalista, a banda parecia completa e pronta para levantar âncora, E ia até muito bem. Mas alguma vaidade e veleidade típicas dos grupos de rock minou o projeto e acabei, eu mesmo, desistindo da permanência de um segundo vocalista. Porém, resolvi seguir com a fórmula original em uma nova formação, sem, no entanto, abdicar da banda anterior. No entanto, estava claro que eu não poderia mais me comprometer tanto com a Zelvis, como acontecia até então. Desta forma, bandas e amizades foram desfeitas,porém, a semente de Luci e os Neolíticos estava plantada.
Gravamos um EP, com Stephen na guitarra principal, e que chegou a ser divulgada como uma gravação solo da vocalista Anne Jessant. Você pode baixar o disco aqui. A próxima etapa era a busca de músicos que se encaixassem no perfil que queríamos para a nova banda. Buscávamos pessoas maduras, sem vícios e que conhecessem aquilo que iríamos tocar. No início do ano, eu, Toni Calfim e Anne Jessant fomos acrescidos da grande figura que é Abelardo Boudoux, que, infelizmente, por motivos pessoais não pode continuar. Não tinha problema, aguardamos seis meses até que aparecesse a pessoa certa, no caso, o músico Chico Jr, amigo de longa data e peça-chave para que voltássemos a acreditar na viabilidade da Luci e os Neolíticos.
Ontem aconteceu o segundo ensaio desta novíssima formação. Estamos retomando a proposta inicial da Zelvis que é um "mix" de rock oitentista, música baiana e brasileira dançante e de qualidade, pop-rock e ska. Só fica de fora mesmo a axé-music, que, sem preconceito algum, não fazia parte da ideia original e fora introduzida por um dos integrantes da LP que, na alcova do seu quarto, gosta muito do estilo.
A Luci e os Neolíticos não tem data para estrear. Brincamos até que a banda estreará em 2020 comemorando os dois anos do próximo governo Lula. Claro, nenhuma das duas coisas acontecerá. A Luci e os Neolíticos estreia bem antes, mas apenas quando puder apresentar um repertório redondo, equilibrado entre autorais e covers personalizadas. O nome faz referência ao período em que a humanidade passou da pedra lascada à pedra polida e brinca com as limitações musicais naturais de integrantes que têm uma vida profissional e familiar a cuidar. Mas nada que o capricho, a amizade e a dedicação não resolvam.
Luci e os Neolíticos é pura diversão. Por enquanto, é diversão para nós. Em breve, para os amigos que serão convidados para os primeiros ensaios. Depois para outros amigos que poderão conferir o som em audições selecionadas. Enfim, em breve, para por o distinto público para dançar. Afinal, esta é a nossa missão. Sempre será. Por o mundo inteiro para dançar.

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