sábado, 16 de julho de 2016

Ed. 16 - Alice Cooper - Goes To Hell


Alice Cooper - Goes To Hell (1976) - Só quem viveu os anos 70, pode entender, ou assimilar o fenômeno Alice Cooper. Começou como uma banda com nome de mulher, depois o vocalista Vincent Funier tomou o nome para si e saiu em carreira-solo. Campeão de vendagens na década, Alice rodou o mundo com seu "circo de horrores", parando até por estas bandas, se tornando o primeiro grande artista internacional a tocar no país, com direito a tumulto durante as apresentações e tudo mais. Frequentemente confundido com um satanista, sempre fazia questão de salientar que o que fazia em seus shows era mero teatro; mas a verdade é que Cooper inaugurou o estilo "roqueiro junkie decadente" que faria sucesso nas décadas seguintes.

Certo que Alice Cooper nem era bem um junkie, no sentido usual da palavra. Sem nunca ter se envolvido com as drogas ditas pesadas, o roqueiro de nome andrógino se ferrou mesmo foi com a birita - que alguns consideram a mais pesada delas todas. Em 76, a carreira do cantor se encontrava em um ponto em que parecia que nada que ele fizesse manteria o frescor dos discos anteriores. Alice chamou o amigo e conceituado produtor Bob Ezrin e pariu Goes To Hell, um disco com pretensões de ser "conceitual", ou seja, de contar uma história. 

Se "Goes To Hell" acaba sendo considerado um disco menor na carreira do artista, a fama é injusta. Algumas das faixas deste disco tem uma qualidade individual infinitamente superior a de muitas de suas melhores canções. É deste disco a belíssima "I Never Cry", a bem-humorada (e de letra fantástica) "Give The Kid A Break" e a emocionante "Wake Me Gently", que denunciam um artista em busca de um sentido para a própria vida, sob a máscara de "roqueiro doidão". As letras, neste álbum, curiosamente, são bem mais cuidadas que o usual, mais intimistas e mais sensoriais. De "Goes To Hell" em diante, de fato, a carreira de Tia Alice rolou ladeira abaixo comercialmente, ainda que com lampejos de criatividade como no interessante "Zipper Catch Skin", de 1980, onde o cantor encarnava uma espécie de Ian Curtis pré-moderno.

sábado, 9 de julho de 2016

Ed. 15 - Skrewdriver: Uma boa banda desperdiçada.

Uma certa falta de informação decorrente do atraso entre o que acontecia lá fora e aqui em termos de música, aliados a uma necessidade quase patológica da imprensa internacional de rotular a tudo e a todos, nos fez sempre acreditar, no Brasil, que o movimento Oi! era uma espécie de linha evolutiva do punk rock inglês. Não era. Antes mesmo de se auto-proclamarem "Oi!", batizadas pelo jornalista Gary Bushell, por conta da forma como os fãs marcavam o ritmo durante as apresentações (oi! oi! oi!), algumas bandas já se reuniam em garagens e pubs sujos para detonar um rock ainda mais cru que o punk em 1977. Na falta de um nome melhor, e pegando o gancho da crescente onda "punk rock" capitaneada pelos Sex Pistols, a imprensa passou a chamar aquele bando de moleques oriundos da mais pobre classe operária britânica de "street punks".

Mas a onda "Oi!" explodiu no final de 1979 e dois anos antes, em pleno natal de 1977, o mundo via nascer o primeiro disco de "Oi!" de fato e de direito. "All Skrewed Up", da polêmica banda Skrewdriver, é considerado, literalmente para o bem e para o mal, como o lançamento pioneiro do estilo. Não é que as bandas do movimento ainda não existissem. Pelo contrário, estavam todas lá, nos porões e nas garagens, ensaiando, ensaiando e ensaiando. Até mesmo o Sham 69, que é considerado por muitos como o real precursor do estilo, só gravaria o seu excelente Tell Us The Truth seis meses depois. Mas, foram os meninos pobres do Skrewdriver os responsáveis por inaugurar um estilo que já nasceu sob o signo da polêmica, o "rock oi!".

Quando se fala em Skrewdriver, o que vem à mente é a banda neo-nazista ligada ao movimento "White Power" e à Frente Nacional, o partido de extrema-direita inglês. O Skrewdriver é, também, um dos grandes responsáveis pela má fama do rock oi! Ainda que o nacionalismo estivesse presente - com uma frequência até mesmo inconveniente - nas letras das bandas do estilo, nenhuma, absolutamente nenhuma delas, poderia ser taxada de racista ou até mesmo nazista. Nem mesmo o Skrewdriver, pelo menos a formação original, que gravou este primeiro disco.

Por causa da banda liderada por Ian "Stuart" Donaldson, grupos como o The Exploited ganharam fama eterna - e imerecida - de "nazi punks". Por causa do Skrewdriver, a má vontade do resto do mundo com artistas do estilo como Cockney Rejects, Angelic Upstarts - que inclusive eram abertamente comunistas -, The 4 Skins e até mesmo o já citado The Exploited quase nos fez jogar fora toda uma geração do punk inglês. Por causa do Skrewdriver, deixamos até mesmo de conhecer o próprio Skrewdriver .

É preciso dizer que a formação original do Skrewdriver não era, de forma alguma, nazista e, muito menos, racista. Surgiram em meados da década como uma banda cover dos Rolling Stones chamada Tumbling Dice. No final de 76 resolveram trocar de nome e passar a compor o próprio repertório. Foi então que Roger Armstrong, do selo independente Chiswick Records  - Motorhead, Damned, entre outros - assistiu a uma apresentação do grupo e os contratou. Anos mais tarde, já com a má reputação do grupo consolidada, Armstrong declararia: "Ian Donaldson jogou o nome e o futuro de uma excelente banda na lama". Nos relançamentos de "All Skrewed Up", a Chiswick modificaria a capa, trazendo o aviso: "Cuidado! Futura banda racista. Racismo é ruim".

Partindo do princípio que são bandas distintas, unidas por um único membro que, aliás, à época da gravação até se dizia "de esquerda", dá para curtir -  e muito -  este "disco de estréia" do Skrewdriver. Quem gosta de punk rock irá se surpreender ao ouvir um dos álbuns mais maduros do estilo, já cometidos por qualquer outro grupo. Como vinham diretamente do movimento skinhead original - que também era não-racista - , a influência da música folk inglesa já aparece na primeira faixa, a melhor,  "Where Is It Gonna End". Na sequencia, "Government Action", o hit "Backstreet Kids" e "Gotta Be Young" flutuam entre influências marcantes de Who e Rolling Stones e o mais deslavado e desvairado punk rock. "I don't need your love" e "I don't like you" tem ecos de Ramones, como os "i don't" denunciam. O lado A encerra com a saltitante "an-ti-so-ci-al".

O lado B começa com "Confusion" passando pela poderosa "9 till 5" e a acelerada  e curta "Jailbait". "We Don't Pose" e "The Only One" repetem a dobradinha "Stones/Who" e uma cover de "Won't get Fooled Again"  (do The Who) encerra a bolacha. É preciso dizer que "All Skrewed Up" não é um disco "sensacional" mas, sem dúvida, é bom e surpreendente. Além do que, entrega bem mais do que promete. Uma curiosidade sobre o LP é que foi o primeiro da história a sair com quatro capas diferentes, cada uma de uma cor.

A banda original acabaria pouco mais de um ano depois do lançamento deste disco justamente por conta das divergências políticas que surgiam. Em  84, Ian Donaldson passa a se chamar Ian Stuart, contrata outros músicos e reforma a Skrewdriver, se tornando a banda supremacista branca de maior sucesso dentro da história do rock. Definitivamente, uma glória contestável. Ian Stuart Donaldson viria a morrer em 1994, em um acidente de carro.









sábado, 2 de julho de 2016

Ed. 14 - Sonhando acordado em câmera lenta.


O fato de ter cortado relações, musicalmente falando, com a década de 90, ainda em seu amanhecer, fez com que eu deixasse de ouvir muita coisa chata e barulhenta vinda da terra do Tio Sam, ou de algumas outras, chatas e modorrentas, oriundas da terra da Rainha. Mas tamanho radicalismo em não querer ouvir nada que tivesse sido produzido nestes anos fez com que eu deixasse de conhecer mais cedo a banda que corre o risco de ser a melhor dos anos 90 e até mesmo da atualidade.


Eu fiz questão de grifar a frase para evitar polêmicas inúteis. Tudo bem se você acha o Oasis, os Strokes, o Xiu Xiu ou qualquer outra coisa, a melhor banda do mundo. Perdoe-me, eu acho isto do Everclear. É isto mesmo que você leu. O power-trio do Oregon já há algum tempo vem me conquistando a cada lançamento, e, de mais a mais, posso acompanhar o crescimento da banda em tempo real, agora, já. Seu mentor intelectual e líder da banda, é o filho de imigrantes gregos Art Alexakis, de 42 anos de idade em 2003. Quando o Everclear lançou seu primeiro disco, em 1993, o guitarrista já havia passado dos 30, acabara de se divorciar em um processo penoso que resultaria em dois dos melhores discos já produzidos e não tinha mais nenhum deslumbramento com o show-business.

Ao mesmo tempo, a massa sonora característica de suas canções denunciava justamente o contrário. Que no seu coração de homem maduro morava ainda um adolescente, louco pra fazer o maior barulho possível. Já os temas de suas músicas eram surpreendentemente maduros e lúcidos. Em Wonderful, faixa do brilhante "Songs From An American Movie", Art questiona a instabilidade familiar vista pelo olhar das crianças de forma tão crua e dura que todos os pais deveriam ler a letra da canção para, talvez assim, pouparem-nas de futuros traumas. Traumas que, inclusive, ele tem. No belíssimo clip desta música, a câmera o flagra de olhos marejados, visivelmente emocionado.Com uma vida recheada de traumas e pequenas e grandes tragédias (seus pais se separaram quando ele tinha cinco anos e seu irmão mais velho morreu de overdose de heroína, sendo que ele próprio, já foi um viciado), Alexakis é um letrista do tamanho de um Dylan ou de um Cohen. E se ele faz hard-rock em vez de folk music, melhor.

Assim chegamos ao disco "Slow Motion Daydream", de 2003, seu último trabalho, o mais recente até este ano. Começamos pelo título, que já entrega muita coisa. "Sonhando acordado em câmera lenta" é, de fato, o mais "sonhador" dos álbuns da banda. Livre das consequências de sua separação, com os demônios interiores devidamente exorcizados, de contas acertadas com o way-of-life americano (Alexakis fez uma intensa campanha contra a reeleição de Bush e foi um dos criadores de um site em que cidadãos americanos pedem desculpas ao mundo pela eleição do "presidente júnior"), o que restaria ao artista? Produzir um disco carregado nas tintas, "quase" ensolarado, bem "sonhador" (daí o título), com direito até a faixa-secreta alegrinha e limpinha. Não que a essência do texto de Art Alexakis ou as características do som do Everclear tenham se diluído neste (não tão) novo disco. Muito pelo contrário, está tudo lá. O que mudou é que a visão de mundo do artista não está mais tão amarga quanto antes. Art está enxergando tudo da mesma forma, só que com muito mais humor. E a "pauleira" típica do grupo ainda está (e como está, por sinal) muito presente. Assim como as delicadas construções harmônicas pop. Só que agora está tudo muito bem misturado, bem dosado, maduro enfim.

O humor quase negro de canções como "I Wanna Die In A Beautiful Day", a fina textura de "A Beautiful Life" ou o clima folk de "Volvo Driving Soccer Mom"; até a inevitável influência de Van Morrison está presente em "That Acid Summer". Como em todos os discos da banda, as músicas são dispostas como se contassem uma história, embora todas tenham luz própria. Enfim, para quem não gosta do Everclear, certamente este disco não dá razões para que passe a gostar. Para quem curte o som mezzo pesado mezzo pop do grupo, não faltam motivos para se deliciar com este álbum. 

E pra não dizer que tudo é divino-maravilhoso em "Slow Motion Daydream", alguns "truques" de discos anteriores podem ser reconhecidos aqui e ali e podem dar munição aos detratores do grupo, que costumam dizer que o Everclear está sempre fazendo a mesma música. Tudo bem, diziam isto dos Ramones e hoje sentimos a falta daquele disquinho anual "igualzinho" do quarteto nova-iorquino. Vá, Alexakis, faça ainda uns dez "Slow Motion Day Dream" antes da sua bela morte, e que permaneçamos vivos para ouvi-los. Em câmera lenta. (Publicado originalmente em 2004).

domingo, 26 de junho de 2016

Ed. 13 - Aerosmith e as canções escondidas no sótão.

Este é o disco preferido de Michael Stipe, vocalista do REM. Esta resenha bem poderia parar por aqui, mas a importância do Aerosmith para o rock dos anos 70 faz deste disco um resumo do que foi a era do hard rock setentista. Um LP que bem poderia estar em uma nave espacial carregada de ícones culturais de diversas décadas. 

Em seu período de validade, quando era uma banda "hypada", o grupo não era levado à sério pela crítica, que enxergava em seu vocalista, Steven Tyler, um mero clone de Mick Jagger. Entre os músicos, a fama da banda também não era das melhores. David Johanssen, vocalista dos New York Dolls acusava Tyler de ter se oferecido para abrir uma audição da banda para a Columbia e roubado-lhes o contrato (Tyler chegou a ser expulso, aos gritos, por Bebe Buell, mãe de Liv Tyler, do velório de Johnny Thunders, guitarrista dos Dolls). 

Só restava mesmo o sucesso de público e este enchia muito a bola do grupo, fazendo com que, a partir deste terceiro álbum, seus lançamentos passassem a vender milhões de cópias mundo afora. Mesmo que alguém insista que o Aerosmith tem outro sucesso anterior (que seria "Dream On", baladaço do primeiro disco), a única  canção do grupo a ter arranhado os primeiros lugares das paradas pop nos anos 70, foi mesmo "Walk This Way", faixa deste disco, que, anos mais tarde, seria regravada pelo grupo de rap RUN DMC, fazendo com que a banda ressurgisse das cinzas para virar lenda a partir dos anos 80.

sábado, 18 de junho de 2016

Ed. 12 - Três décadas de Axé Music. Sai do chão!

O rock se acha muito importante. Aliás, eu também acho o rock muito importante. Tanto que começo um texto sobre os  30 anos da axé-music, fenômeno pop-musical dos anos 80 na Bahia, falando de seu principal opositor, o rock. Aliás o rock se opõe a tudo que julga inferior a ele mesmo e bajula tudo que lhe é sabidamente superior. Assim, lá fora, o rock paquerou  o jazz, a música erudita  e até mesmo o country e tratou o hip-hop e o rap como  sonoridades quase  irrelevantes.  Aqui no Brasil o rock cortejou a MPB e controverteu toda a música que conseguiu mais espaço que ele na mídia.

Na Bahia, o rock sempre se manteve como um feudo de gente fina, elegante e insincera, que sempre tratou a produção musical do estado que não fosse rock com desdém e desprezo. E foi assim, em um ambiente de “guerra cultural”, que surgiu a axé-music, em 1985. O que existia antes, e justamente era o motivo de repulsa pelas hordas roqueiras baianas,  costumava ser chamado desdenhosamente de “música alto-astral” ou “telúrica”. Capitaneada por artistas como Moraes Moreira, o casal Baby e Pepeu e o grupo A Cor do Som, a onda "telúrica" tinha os dois pés no Carnaval e isto era imperdoável no rock baiano. Alegria era um sentimento irredimível, só a raiva valia.

E eis que, naquele longínquo ano de 1985, surge uma figura andrógina, de pés descalços e gestos um tanto afeminados, cantando uma música sobre uma “nega do cabelo duro que não gosta de pentear”. A canção era um artefato pop perfeito, com uma melodia grudenta, um refrão empolgante e o gosto de novidade. Não deu outra: Luis Caldas deu o pontapé em uma manifestação pop e, ainda por cima, popular - são coisas diversas -, legítima, oriunda da porção mais pobre da sociedade. 


Saído dos grotões dos subúrbios ferroviários e dos bairros negros de Salvador, logo o novo estilo foi batizado com o nome de Axé-Music. O nome de batismo foi dado desdenhosamente pelo jornalista Hagamenon Brito, incentivador da cena roqueira baiana e a intenção era a pior possível:  ridicularizar aquela música “mal-feita”, “sem qualidade” e “comercial”,e, porque não dizer, "de pobre". Deu errado. A mídia comprou o termo sem pagar royalties a Hagamenon e a axé-music cresceu, enquanto o rock diminuía no país inteiro.

Hoje em dia, observando do alto de três décadas, podemos rever e reouvir as canções que marcaram o período áureo do axé  com a isenção que só o tempo pode oferecer. Até mesmo o mais ranheta dos roqueiros irá concordar que havia, sim,  muita coisa de boa qualidade na produção daquela época. Bamdamel, Banda Reflexu’s, Chiclete com BananaOlodum, estiveram na linha de frente com uma coleção de hits memoráveis que até hoje ecoam em nossos ouvidos. Claro que havia o lixo, pois material de baixa qualidade há em qualquer estilo. Mas a axé-music  com sua mistura intuitiva de música pop e ritmos locais, escreveu o seu lugar na história.

Ainda mais notável é a qualidade daquelas canções, principalmente se comparadas à produção da música baiana atual. Hoje, extirpou-se a harmonia, amputou-se a melodia, encurtou-se as letras a ponto de se tornarem mantras quase sem nenhum sentido. O que se faz hoje na Bahia não pode sequer ser  chamado de axé-music porque não se parece em nada com aquelas musiquinhas  de refrões pegajosos que adorávamos odiar. É uma espécie de “pós-axé”, também conhecido como  “pagodão”, com bandas de mais de uma dezena de integrantes e uma pobreza musical inversamente proporcional à quantidade de músicos envolvidos.



Talvez, daqui a mais três décadas, estarei aqui saudando os 30 anos de pagodão e reclamando da produção baiana do futuro. Espero sinceramente que não, porque será sinal de que a música de lá caiu vertiginosamente de qualidade. Talvez, até eu e o tempo estejamos sendo mesmo condescendentes com a axé-music.  O fato é que hoje, pelo menos uma dúzia de canções “clássicas” do estilo frequenta minha mp3teca e as ouço com prazer, algo impensável trinta anos atrás. Que se comemore intensamente as bodas do axé. Que se toque a velha e boa axé-music pelas esquinas o ano inteiro. Vivo na Bahia e meu ouvido agradece.

sábado, 11 de junho de 2016

Ed. 11 - As desventuras do Beatle Tim no reino da Jovem Guarda.

Antes de serem descobertos  pelo empresário Brian Epstein e contratados pela tradicional gravadora Parlophone, os Beatles não passavam de uma sofrível banda de guitarras.  Uma audição atenta e imparcial dos hoje famosos “Decca Tapes", bootleg encontrado em qualquer programa de troca de arquivos de áudio, e somos obrigados a concordar com John Lennon: a única coisa que se salva daquela gravação é a entusiasmada interpretação de George Harrison para o standard “Sheik Of Araby”. Certo que eram curiosas e criativas “versões rock and roll” de coisas escritas 20, 30 anos antes, mas aí é que estava o problema: o esquema “recriação de canção antiga no novo ritmo jovem” já havia mesmo se esgotado no Reino Unido. Nem a insólita “Besame Mucho”, cantada por Paul, salvou a pátria: Os Beatles foram recusados pela Decca Records com a justificativa mais correta do mundo em 1962, a de que bandas como a deles estavam mesmo saindo de moda.

Os Beatles que seriam contratados pela Parlophone algum tempo depois, estes já tinham muito mais estrada, já tinham sido abduzidos pelos novos sons que vinham da América via Motown, e, principalmente, já não eram mais uma banda de rock and roll: Graças a Epstein, tinham se adaptado, e muito bem,  à nova cena britânica, de bandas e artistas como Gerry & The Pacemakers e Billy Jay Kramer. mais pop e menos barulhentos. O sucesso foi instantâneo e aí é que realmente começa a história e a histeria da beatlemania. Com certeza, se tivesse posto as mãos nos Beatles de 63, aquele executivo da Decca que os rejeitou, desta vez os contrataria. Da mesma forma que certamente rejeitaria os Stones desta mesma época e os contratou no ano seguinte: Em 64, bandas de blues, ou bandas que macaqueavam o blues americano, eram o último grito do mundo da música inglesa.

No  Brasil, mais ou menos na mesma época, encontramos um jovem interiorano sendo recusado de absolutamente todas as gravadoras cariocas, ora por ser um mero clone de João Gilberto, ora por sua voz um tanto anasalada (que muitos afirmavam ser “fanha”). O fato é que Roberto Carlos penou, e penou muito, até se tornar o grande ídolo da juventude, o rei do iê-iê-iê, alguns anos depois. Enquanto Roberto estourava nas paradas de sucesso de todo o Brasil, um garoto tijucano, recém expulso dos EUA por roubo de carros, um tal Tião da Marmita, certa vez o procurou pedindo uma chance no meio musical. Haviam tocado no mesmo grupo vocal, no final dos anos 50. Roberto, em meio ao turbilhão da fama recém-conquistada, parou, conversou com Tião, deu-lhe uma bota nova e ainda lhe deu algum dinheiro, jogado ao chão por um secretário particular que certamente estava cansado de tantos “Tiões” atrás de Roberto para tirar uma casquinha de seu sucesso. Bem, isto é o que a história registrou. O que as revistas da época disseram é que, Roberto, feliz por reencontrar o amigo Tião, recriou o grupo Sputniks com Erasmo e o futuro Tim em um dos episódios do programa Jovem Guarda. Há, inclusive, uma foto que prova isto.

Algo me diz que, se Roberto tivesse se empenhado e conseguido “uma chance” para o amigo Tião da Marmita, talvez nosso futuro Tim lançasse um ou dois compactos obscuros travestido de Sam Cooke tropical e sumisse para sempre no mesmo limbo onde estão José Ronaldo, Carlos Gonzaga, Baby Santiago e, Geraldo Nunes.  Talvez, se Roberto não fosse tão naturalmente humano naquele encontro, se importando um pouco mais do que a história conta, o mundo jamais veria o gênio Tim Maia. Jamais veria porque, naquele momento, Tim Maia ainda não existia. Ou, pelo menos, ainda não tinha se libertado completamente de seu criador, vulgo Sebastião Rodrigues Maia.

O fato é que, quando Roberto se dispôs a dar a tão polêmica chance ao Tião da Marmita, recusou a baladinha fácil, embora pungente,  que Sebastião fez sob medida para ele e quis gravar algo bem “funky”, bem  mais a cara do amigo Tião. Neste momento, nem Roberto nem Sebastião sabiam,  mas fez-se a luz e o mundo começou a conhecer Tim Maia.

Sem dúvida eu  até poderia  tentar crucificar Roberto. Assim como poderia crucificar um Tim Maia  já famoso , que se negou  a ajudar seu sobrinho Eduardo Mota, que, aliás, já nasceu Ed Motta, o que causou uma  rusga entre tio e sobrinho que jamais foi cicatrizada. Mas é melhor não crucificar ninguém. O  fato incontestável é que “Não Vou Ficar”, de autoria de Tim, não só foi um sucesso estrondoso na voz de  Roberto, como definiu toda a orientação musical da carreira do Rei até 1977, quando Roberto deu a guinada romântica que o transformaria em uma caricatura de si mesmo. Quanto a Tim, a gravação de Roberto jogou os refletores sobre ele e , daí em frente, para o bem e para o mal, o ex-Sebastião foi senhor  absoluto da carreira artística de Tim Maia.

É  bom lembrar que, até a  gravação do  antológico CD  “Tim Maia Ao Vivo”, com a ajuda de Sérgio Mota, pela Warner, e o disco seguinte, “Tim Maia Romântico”, ora vejam, pela Som Livre, gravadora pertencente ás organizações Globo, Tim Maia era apenas um arremedo do que tinha sido nos anos 70. Falido, esquecido e ridicularizado – você pode usar “satirizado”, se quiser -  até mesmo pela trupe Casseta & Planeta. Tim disparou sua metralhadora cheia de mágoas contra tudo e contra todos.  A gravação de dois CDs de sucesso em um momento crucial de sua carreira o resgatou de um injusto esquecimento futuro. A morte, a mitológica instabilidade emocional e, sem dúvida, a sua genialidade ímpar,  o transformaram em  lenda morta da MPB.  Sobrou para Roberto Carlos,que, de uma hora para outra, se viu na incômoda posição de vilão global por conta de um diretor de cinema enraivecido com a alegada mutilação de sua obra.


Eu, ao mesmo tempo, odeio e amo Lulu Santos. Antes que alguém questione uma suposta bipolaridade minha, eu explico: Gosto da música feita pelo músico, mas tenho uma profunda antipatia pela pessoa  de Luís Maurício dos Santos, o homem por trás do artista. Muitos músicos são péssimos seres humanos e talentosos artistas. Assim como alguns artistas acabam favorecidos por terem simpatia demais e talento de menos. Assim é a vida como ela é, diria Nélson Rodrigues.  Da mesma forma, amo muito e odeio um pouquinho o cidadão Sebastião Rodrigues Maia, conhecido no meio artístico pelo epíteto de Tim Maia.

Tim esteve no olho do furacão nos últimos dias, nos jornais e na internet, por conta da polêmica exibição de uma minissérie baseada no filme sobre a sua vida, recentemente exibida  pela TV Globo.  Aqui mesmo neste blog, já escrevi sobre o assunto. Volto a escrever por conta da lembrança feita por alguns blogueiros e jornalistas, do episódio envolvendo os cantores Ritchie e Roberto Carlos, um boato (sim, um boato) extremamente maldoso, criado justamente pelo rei da soul-music brasileira. Segundo TimRoberto Carlos, enciumado do enorme sucesso de Ritchie em sua gravadora, a CBS, teria boicotado o artista, impedindo que sua carreira se desenvolvesse. Podemos simplesmente acreditar no boato ou tentar entender os fatos e, chegarmos nós mesmos à conclusão se tal afirmação é factível ou não.

Não estou querendo aqui , de forma alguma, santificar Roberto Carlos, mas a falta de caráter de Tim Maia é tão notória quanto a sua capacidade de mentir e, se você se espantou com os fatos relatados no filme sobre a sua vida, saiba que Nélson Motta foi profundamente generoso com o “gordinho mais querido do Brasil”. E, mais ainda, o roteirista do filme baseado no livro. O que não quer dizer que Maia não tivesse qualidades.  Tinha, sim, e muito mais do que a mídia poderia supor e gostaria de publicar. Tim, sozinho, mantinha um orfanato inteiro. Só ficamos sabendo disto após a sua morte, porque a viúva do artista veio a público pedir que as pessoas ajudassem a instituição que já não podia manter sozinha.

Acontece que Tim Maia era um ser humano como qualquer um de nós, com erros, acertos, contradições, pisadas na bola e gestos magnânimos. Falta só o respeitável público  da internet reconhecer que Roberto Carlos também é um ser humano como qualquer outro. Dito isto, vamos continuar analisando a questão:  Em 1983, quando Ritchie, um inglês radicado no país desde os anos 70, estourou em todo o país com o compacto da música "Menina Veneno", Roberto era sim o maior vendedor de discos da sua gravadora. O Brasil vivia um momento musical em que o chamado “público jovem” fazia a transição da MPB para o rock “New Wave”. A Blitz havia aberto o caminho para que o “novo rock” se firmasse na preferência da juventude e Ritchie parecia o artista certo para realizar a ponte entre o gosto popular e o exigente gosto dos roqueiros. O compacto contendo "Menina Veneno", cujo lado B trazia a roqueiríssima  “Baby, Meu Bem”,  até hoje a melhor gravação do cantor, sedimentava  a percepção de que Ritchie era a grande promessa do rock nacional para a década de 80. Espécie de meio-termo entre o sex-appeal de Elvis e a classe de Bryan Ferry,  ainda por cima era gringo, conterrâneo dos Beatles.  Agora sim, o Rock-Brasil iria fazer bonito no mundo.

Não fez.  Quando saiu o LP, intitulado “Vôo de Coração”,  o artista demonstrou, até pelo trocadilho infame do título, que seu apelo era muito mais popular do que roqueiro.  Não que as canções não tivessem qualidade, muito pelo contrário. Havia até uma versão de  “The Letter”, sucesso de Alex Chilton com os “Box Tops”.  As ótimas canções empurraram o disco facilmente para o milhão de cópias, conseguindo vender, naquele ano, ainda mais do que o tradicional disco anual do Rei Roberto.  

Alcançado o vertiginoso sucesso,  a CBS iniciou o processo daquilo que viria a ser o segundo disco do cantor. Aí começaram os erros. Ritchie, que havia se sedimentado como uma espécie de  Odair José pós-moderno, preferido de nove entre dez empregadas domésticas, passou a recusar participação em shows populares e  resolveu  voltar a focar no público mais sofisticado, mais roqueiro, aproveitando o boom que o rock nacional vivia em 1984.

O primeiro single extraído do segundo disco não ajudou.  “A Mulher Invisível” era uma canção fraquíssima, com um loop de baixo repetitivo e monótono, sem um refrão forte e com Ritchie caprichando na péssima dicção, que, se não comprometeu o sucesso de “Menina Veneno” –  até hoje não se sabe se o abajur  era cor de carne ou de carmim – foi fatal em “Mulher Invisível”. Noves fora o fato óbvio da similaridade dos títulos e intenções, de se repetir o sucesso de “Menina Veneno”, porém  com uma canção bem mais fraca.  Salva-se neste segundo LP  o protoarrocha  “Só Pra o Vento” (Ritchie, definitivamente, gostava destes trocadilhos),  justamente a única faixa na linha popular e com a mesma qualidade das canções do disco anterior. O terceiro LP foi a pá de cal na história do cantor com a CBS, pois era ainda mais fraco. Sem um sucesso sequer, consequentemente, vendeu  bem menos que os dois anteriores. Quando a CBS o liberou e o inglês assinou com a Polygram, a nova gravadora repetiu  a mesma estratégia de lançar uma música impactante em compacto, a melosa “Transas”, que mais parecia um jingle de comercial de motel, e em seguida o LP. O compacto estourou mas, novamente o disco grande não aconteceu e, desta vez, não havia Roberto a se culpar. Ritchie saia, enfim, da vida musical para entrar para a história.

Um belo dia, Ritchie encontrou Tim Maia pelos palcos da vida e este resolveu repassar ao inglês  mais uma de suas “informações quentes”.  Tim,  que nunca se deu muito bem com ninguém, muito menos com seus amigos de ralação na Tijuca que alcançaram o sucesso antes dele, alegou que fora Roberto Carlos, enciumado, que puxara o tapete do músico na sua gravadora.  Pronto, agora Ritchie tinha a desculpa perfeita e que faltava para justificar seu fraco desempenho e o declínio sem volta em sua carreira. A história ganhou força e  ares de verdade absoluta.


Claro que Roberto Carlos pode, realmente, ter ficado enciumado com o sucesso estrondoso de Ritchie e é possível que ele tenha demonstrado esta insatisfação em forma de má-vontade com o colega de gravadora. Mas, se a carreira do inglês decaiu, não foi por causa do rei e sim, dele mesmo.  Curiosamente, Roberto não sabotou a carreira de mais ninguém, apesar de muitos outros artistas alcançarem a marca de um milhão de cópias vendidas antes que a pirataria enterrasse de vez o seu reinado. E Tim, bem, Tim continuou a contar suas histórias e estórias, cantar como nenhum  outro as dores de ser enganado e o sofrimento de amar demais até que faltasse a seu último show para ir cantar nos braços do Senhor. Dizem que tem anjo e santo com as barbas de molho até hoje.

sábado, 4 de junho de 2016

Ed. 10 - Protejam os sacos, aqui vão os Sex Pistols!

Não tem jeito. A história do rock não se divide em antes e depois do Led Zeppelin, por mais importante que o grupo de Plant e Page tenha sido. Muito menos em antes e depois de The Cure, The Clash, The isso ou The aquilo. O rock nunca mais foi o mesmo depois de 1977. E não adianta argumentar, com toda a razão, que os Sex Pistols eram uma pálida imitação dos Heartbreakers de Johnny Thunders ou dos New York Dolls do mesmo Thunders e de David Johansen. É isso aí mesmo. Os Pistols não devem ser julgados pela competência musical e sim pela revolução que os cinco delinquentes londrinos fizeram no cenário do rock inglês ou de qualquer outra parte do mundo. 

Mas vamos baixar um pouco a bola dos ingleses. O punk, ao contrário do que muita gente pensa, não começou com eles. A palavra "punk", designando um estilo musical, surgiu quando "Handsome Dick Manitoba", guitarrista da banda nova-iorquina The Dictators, declarou que aquele som tosco que seu grupo fazia era nada menos que..."punk rock", algo como "rock de maricas". Ainda era 1975, quando os Dictators soltaram Girls Go Crazy e, mesmo assim, não poderiam ser considerados inventores do estilo. 

Cinco anos antes, quatro maluquetes de Detroit, fissurados por The Troggs, uma banda do meio dos anos 60, geralmente citada como "avós do punk", soltaram um disco barulhento, pouco melodioso e muitíssimo mal gravado. A banda, "The Stooges", (os patetas), entraria para a história como o berço do "pai do punk", Mr. Iggy Pop. Entre 75 e 76, o inglês Malcom McLaren estava morando em Nova Iorque, à procura da "next big thing", a banda que iria pôr o mundo de cabeça pra baixo e ainda faturar alguns bons trocados, deixando rico quem tivesse a sorte de ser seu agente.

Malcom enxergou a oportunidade de ouro quando o grupo New York Dolls tentou se reformular após dois discos que não haviam acontecido. McLaren pegou os cinco rapazes que gostavam de se vestir de mulher e enfiou-lhes modelitos vermelhos, com direito a apologia ao comunismo e tudo o mais. Os Dolls, que já vinham mais pra lá do que pra cá, afundaram de vez com a pequena ajuda do amigo inglês. Malcom retorna para Londres, frustrado mas não derrotado. Quem sabe lá ele encontraria a banda que lhe daria seu tão sonhado milhão de libras? 

Lá o empresário, que era  casado com a estilista Vivien Westwood,  abriu a loja "Sex", onde vendia basicamente roupas de couro preto. Seu funcionário, Glen Matlock, frequentemente recebia a visita de dois amigos, Paul Cook e Steve Jones, que além de atrapalhar o trabalho do balconista, ocasionalmente levavam algumas peças pra casa sem pagar. Malcom enxergou neles a banda que procurava. Só havia um pequeno problema: nenhum dos três sabia tocar absolutamente nada. Este irrelevante impedimento seria solucionado com a entrada em cena de Chris Spedding, talentosíssimo guitarrista inglês, que aceitou a incumbência de fazer com que os três projetos de punks aprendessem algum instrumento. 

Paul Cook logo tomou conta da bateria enquanto Steve Jones e Glen Matlock, que, verdade seja dita, já tinham alguma noção de violão e guitarra, se digladiavam pelo posto de contra-baixista. Jones acabaria assumindo a guitarra. Duas semanas depois, os"Sex Pistols" já estavam ensaiando no estúdio de Spedding. Faltava apenas um vocalista. O posto foi preenchido por um garoto corcunda de voz esganiçada e dentes podres. Malcom Laren o batizaria de Johnny Rotten. Os Pistols foram vendidos pelo que valiam e comprados pelo que se pensava que valiam. 

A princípio, a banda não deveria passar de um grupo de rock "moderno", com letras políticas e atitudes ultrajantes, pero no mucho. Quando um apresentador da TV Inglesa os incitaram a dizer palavrões no ar, a parte conservadora da Ilha declarou guerra à banda e o que se viu, se por um lado ajudou a construir a lenda dos Sex Pistols, por outro fechou todas as portas para o grupo. Tudo na vida da banda passa a ser extremamente difícil: Shows são cancelados, contratos com gravadoras desfeitos, seus integrantes são atacados na rua e presos por perturbação da paz, mesmo que não estejam fazendo nada de errado. 

Matlock pede o boné e McLaren inventa que o baixista teria sido despedido por ter afirmado gostar dos Beatles. Em seu lugar, coloca o baterista do grupo Siouxie And The Banshees, um tal de Sid Vicious. Ter trocado alguém com tanta musicalidade como Matlock, que havia se revelado um baixista mais do que regular, por um nerd que mal conseguia empunhar o baixo, não foi, definitivamente, a melhor ideia da vida do empresário. Fora Rotten, que era amigo pessoal de
Sid, ninguém na banda concordava com a permanência do novo integrante. 

Assim, as gravações do que viria a ser o único Lp dos Sex Pistols tiveram que ser realizadas sem a presença de Sid Vicious que ainda não dominava o instrumento (e jamais o dominaria, giga-se de passagem). Neste período, Vicious, que tinha este apelido ("péssima influência", e não "viciado", como muitos pensam) justamente por ser um babaca do qual todos gozavam, conhece Nancy Spugen

Nancy, figura carimbada do underground nova-iorquino, apresenta as drogas pesadas a Sid Vicious. Sid desiste de aprender a tocar baixo e passa os shows se cortando e esmurrando o instrumento. Um ensandecido McLaren resolve enviar sua trupe para uma turnê pelos EUA, por pequenos clubes de pequenas cidades, esperando que, com isso, a banda chame a atenção da imprensa americana. A desorganização, as brigas com a platéia e a crescente tensão entre os integrantes fizeram com que Johnny Rotten abandonasse tudo e voltasse para Londres. Jones e Cook viajam para o Rio de Janeiro para encontrar Ronald Biggs enquanto Sid e Nancy vão para Nova Iorque, onde Vicious tenta, sem sucesso, iniciar uma carreira-solo. 

OSex Pistols acabam. A morte de Sid Vicious, em março de 1979, transforma os Pistols , definitivamente, em lenda. McLaren licencia diversos produtos com a marca da banda e finalmente ganha seu milhão de libras. Em 1996, a banda passa a ser dona da própria marca e se reúnem com a formação original. Saem em turnê, passando inclusive pelo Brasil e lançam um disco ao vivo. É a vez deles, afinal, ganharem seu milhão de libras.